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  • © José Bértolo

Ensaio de decifração de um enigma: A poesia dramática é a causa finalis da vida humana e do mundo (Goethe)

Maria Filomena Molder

Conferência

Teatro Municipal de Vila do Conde — Sala 2

25 Set | Sáb | 14:30-16:30

Desde que encontrei esta frase de Goethe escrita a 3 de Março de 1785, algum tempo antes da sua viagem a Itália, numa carta à Senhora von Stein, não mais deixei de me bater com ela.
Nela observo uma compreensão do mundo e da nossa vida que não cede o lugar a nenhuma outra. Não que a vida humana e o mundo sejam teatro, mas eles formam tramas e tramas sobrepondo-se, agindo umas sobre as outras, criando personagens vários, cuja dramaturgia se engendra nas várias temperaturas das acções: caldarium, temperarium, frigidarium, como nas termas romanas. Assim o teatro move a vida humana e o mundo, ele é um atractor.

Alguns aspectos e autores que serão chamados à cena:
— o teatro como uma expressão do olhar para si própria de uma cultura: teatro e crise;
— a relação entre filosofia e tragédia (Platão e Aristóteles);
—  o nascimento/origem da tragédia e o Trauerspiel (Benjamin e Nietzsche);
— ver a nossa própria vida como uma peça de teatro vista por alguém (Wittgenstein). Os jogos de linguagem como as formas dramáticas da nossa vida. Primeiro jogo: aprender a falar.

Público-alvo: Estudantes do ensino superior ou profissional, nomeadamente de áreas ligadas à dramaturgia, coreografia e outras disciplinas artísticas, programadores e gestores culturais, professores, público geral.

Questões práticas

O ciclo “Questões práticas” configura-se em torno de encontros, conversas e performances que pretendem dar a conhecer práticas de investigação, escrita, performance, pensamento e transmissão de conhecimento. Cada encontro funciona como um exercício de activação do imaginário social, poético e político dos participantes e dos convidados, procurando intersecções entre práticas artísticas e não artísticas. Organizado em torno de momentos separados no tempo, mas articulados entre si, este ciclo utiliza diferentes formatos de apresentação e protocolos de participação, promovendo o envolvimento e o cruzamento de públicos com interesses diversificados.

Coordenação Questões Práticas
: Joclécio Azevedo | Iniciativa no âmbito do Programa Educativo da Circular Associação Cultural

Maria Filomena Molder
é Professora Catedrática de Estética na Universidade Nova de Lisboa. Doutoramento em 1992 sobre "O Pensamento Morfológico de Goethe" (IN-CM, 1995).
Editou "Paisagens dos Confins. Fernando Gil", 2009;  "Morphology.  Questions on Method and Language", 2013; e também "Rue Descartes" nº68, “Philosopher au Portugal Aujourd’hui", 2010.  Publicou vários livros sobre a relação entre artes, poesia e filosofia. Alguns deles obtiveram o Prémio Pen-Clube para Ensaio ("Semear na Neve. Estudos sobre Walter Benjamin", 2000; "O Químico e o Alquimista. Benjamin Leitor de Baudelaire", 2012; "Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais", 2018); e o Prémio AICA ("Rebuçados Venezianos", 2017). Escreveu também para  Catálogos de arte, sobretudo no contexto da arte portuguesa contemporânea, e sobre filosofia, arte e literatura para Revistas internacionais, como Análise, Internationale Zeitschrift für Philosophie, Sub-Rosa, La Part de l’Oeil, Rue Descartes", Gratuita, Europe, Cadernos Nietzsche, Lettre International, Electra, Diaphanes, Umbigo, Contemporânea.

Joclécio Azevedo (Brasil, 1969). Vive no Porto desde 1990. Os seus trabalhos atravessam diferentes disciplinas artísticas, tendo-se dedicado mais intensamente à criação coreográfica a partir de 1999. Participa regularmente em projetos de criação e investigação, desenvolvendo colaborações e integrando residências artísticas em diversos contextos, dentro e fora do país.Foi diretor artístico do Núcleo de Experimentação Coreográfica entre 2006 e 2011. É membro da direção plenária da GDA e do Conselho de Curadores da Fundação GDA desde 2010.Artista residente da Circular Associação Cultural, a partir de 2012,tendo produzido neste contexto uma série de projetos individuais ou em colaboração com outros artistas (Cuidados Intensivos (2013), Inacabado (2013), Relações públicas (2017) ou Modos de Usar (2018), entre outros.Desde 2013, participa regularmente como formador no FAICC – Formação avançada em interpretação e criação coreográfica da Companhia Instável.Em 2016 trabalhou como assistente convidado no Curso de Especialização em Performance na FBAUP.Colabora, desde 2016, com o grupo Sintoma – Performance, Investigação e Experimentação, orientado por Rita Castro Neves e desenvolvido pelo i2ADS Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.