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  • Dona Arménia © Ana Madureira e Vahan Kerovpyan

  • Inês Barbosa © Capa do jornal A Capital, edição de 3 de Abril de 1976

  • O Corpo no Espaço © Beatriz Valentim

  • © Ana Madureira e Vahan Kerovpyan

Extramuros | Escola Básica 2, 3 Frei João de Vila do Conde | 2026

Outros Projectos

O projecto Extramuros – Práticas artísticas em diálogo destina-se a alunos do 2.º e 3.º ciclo do ensino básico e tem como objectivo explorar o potencial das práticas artísticas no envolvimento de crianças e jovens na descoberta e exploração activa da sua identidade, estabelecendo as bases para repensar questões relacionadas com a relação entre a educação, a cultura e a cidadania. 

As sessões deste ano incluem as actividades:

Dona Arménia, por Ana Madureira e Vahan Kerovpyan
Por Cumprir, Por Inventar: 50 Anos da Constituição da República Portuguesa, por Inês Barbosa
O Corpo no Espaço (Oficinas de movimento), por Beatriz Valentim

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Dona Arménia por Ana Madureira e Vahan Kerovpyan

O que seria dar uma aula de cidadania numa língua que ninguém entendia? E se fosse uma aula de cidadança, onde se aprendia os passos da dança da cidadania de um mundo que avança na direcção que eu queria: um mundo onde toda a cidadã ou cidadão teriam o direito a ser chamados de irmã ou irmão? 
Em 50 minutos, exercitamos corpo e pensamento para manter viva a utopia nas pequenas grandes acções do nosso dia-a-dia. 

Por Cumprir, por Inventar: 50 Anos da Constituição da República Portuguesa por Inês Barbosa
Há 50 anos, fruto de intensas discussões e de uma sociedade em ebulição, nasceu a Constituição da República Portuguesa - e com ela, direitos que hoje damos por garantidos: ir à escola, ter cuidados de saúde, não ser discriminado, expressar o que se pensa. Mas o que significa isso na vida real? O que está por cumprir, o que está por inventar? Nesta oficina, exploramos os direitos que a Constituição protege e pensamos naqueles que ainda não existem, procurando responder aos desafios do presente e do futuro. Porque uma constituição não é um documento morto. É uma promessa sempre inacabada e cabe também a quem ainda não pode votar imaginar o que falta escrever. 
 
O Corpo no Espaço por Beatriz Valentim
Enquanto professora, bailarina e coreógrafa, estou muito ligada à educação e aprendizagem da dança e do movimento. Dessa forma, tendo ouvido adolescentes durante vários anos, estes ateliers de movimento pretendem focar-se na relação do corpo com o espaço, em particular o espaço escolar, onde passam grande parte do seu tempo. Esta ideia parte do trabalho desenvolvido pelo artista Willi Dorner, nomeadamente o trabalho “Bodies in Urban Space”, que questiona a forma como a arquitectura e o planeamento urbano influenciam o nosso comportamento e a nossa forma de viver. Iremos também abordar a construção de um espectáculo, tocando em temas como cenografia, luz e som, para além da criação coreográfica em si, despertando a curiosidade e a sensibilidade estéticas.

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Ana Madureira e Vahan Kerovpyan trabalham nas áreas do teatro, música, artes visuais e pedagogia. Criam espectáculos, oficinas e publicações para crianças, famílias e adultos. Com uma linguagem plástica e visual depurada, uma simbologia simples e intuitiva, textos e músicas originais que traçam um desenho dramatúrgico e narrativo repleto de finas camadas, procuram chegar a uma essência que se aproxima da simplicidade/complexidade da linguagem da criança. Numa abordagem poética e provocadora e com a vontade de instigar nos mais novos e nos que os acompanham uma independência de pensamento/acção, têm explorado temas essenciais da vida, como a marginalidade, a amizade, a coragem, a capacidade de mudança, o sonho. Na sua prática artística, trabalham a música viva, a música ao vivo, a proximidade com o público, o humor, a poesia, a reciclagem e questões sérias.

Inês Barbosa é mestre em Associativismo e Animação Sociocultural e doutorada em Sociologia da Educação (UM). Tem ainda uma pós-graduação em Performance (FBAUP). Investigadora do Instituto de Sociologia (UP) na área de Criação Artística, Práticas e Políticas Culturais. Coordena o podcast “Ainda-Não: Sociologia e Utopia” e o Laboratório de Teatro & Política. A sua tese de doutoramento, que incidiu no estudo das práticas artísticas de contestação, recebeu uma Menção Honrosa do Prémio Jovens Cientistas Sociais (CES). Desenvolve pesquisas etnográficas e visuais relacionadas com os temas da precariedade, mobilizações sociais, direito à cidade ou o papel dos/as artistas na crítica à gentrificação turística. É formadora nas áreas de educação não-formal, cidadania, igualdade de género, animação de grupos e expressão dramática. Tem conjugado a investigação com a prática artística, desenvolvendo projectos ligados ao teatro, performance, música e instalação audiovisual. Participou como artista em festivais como Noc-Noc, NAA-Novas Artes Associadas, Binnar, Desobedoc, Utopia (Rio de Janeiro), Femmes du Monde en Scéne (Paris) ou Non-Festival (Gornji Grad). Tem orientado oficinas multidisciplinares em inúmeros contextos e com diferentes públicos nacionais e internacionais. Colabora regularmente com artistas e companhias, estreitando as ligações entre arte e sociologia, em projectos como: "A audição vibratória" com Gil Delindro, "Não tenho terra nos sapatos", com Magda Almeida e Miguel F ou "Reviralho: Mito, Sonho, Utopia", com a Companhia de Dança- Esquiva. Foi curadora de exposições colectivas na Velha-a-Branca (2013), Okna (2019), Galeria Geraldes da Silva (2021) e Centro Português de Fotografia (2022). Participou ainda nas residências artísticas de Lamego, Festival Ibérico de Quintanilha, Hysteria, Zona Autónoma, Sauna - Galeria do Sol.

Beatriz Valentim nasceu na Póvoa de Varzim em 1995; é bailarina, coreógrafa e professora. Iniciou os seus estudos de dança pela Royal Academy of Dance e concluiu em 2013, o curso de formação de bailarinos na Escola de Dança do Conservatório Nacional. Completou a sua formação com o Elit Training Program da Companhia Budapest Dance Theatre e o F.O.R. Dance Theatre da Companhia Olga Roriz. É licenciada em sociologia pelo ISCTE-IUL e concluiu a Pós-Graduação em Dança Contemporânea da ESMAE, terminando como bolseira do Camping 2020 do Centre National de la Danse, Paris.
Tem vindo a trabalhar com artistas como Olga Roriz, Renato Zanella, Jérôme Bel, Raimund Hoghe, Mafalda Deville, Elisabeth Lambeck, Olatz de Andrés, Inês Jacques, Mão Morta, São Castro e António Cabrita, Sílvia Real, Francisco Camacho, Né Barros, Jonas & Lander e Joana Magalhães. A sua primeira criação em nome próprio foi “VADO: solo sobre as coisas vazias” (2018), estreada na XX Bienal Internacional de Arte de Cerveira; seguiu-se o solo “NINA” apresentado no Serralves em Festa 2019 e no Curtas de Dança 2020. Em 2021, criou “Self” para o Festival Interferências, apresentado também no Corpo + Cidade/DDD Out 2022. Desenvolve trabalho relacionado com a comunidade, especialmente crianças e jovens, realizando frequentemente workshops e ateliers com escolas e associações, tendo sido formadora artística do Projecto GruA – Grupo de Autonomia, desenvolvido pela ASAS Associação de Solidariedade de Santo Tirso.
O seu espectáculo “O que é um problema?” (2023) questiona os mais jovens sobre os seus problemas, num espectáculo que concilia dança, música ao vivo e artes plásticas e que já passou por diversas cidades portuguesas como Porto, Lisboa, Loulé e Guimarães. “Vanishing”, a sua nova criação em colaboração com Bruno Senune, teve a sua estreia em abril de 2024.