Raw Rythms
Cecilia Bengolea
Exposição
Solar Galeria de Arte Cinemática19 Set (Sáb) | 17:00 Inauguração | 18:00 Performance
[19 Set a 8 Nov | Seg - Sáb | 14:00 - 18:00]
Entrada livre
[19 Set a 8 Nov | Seg - Sáb | 14:00 - 18:00]
Entrada livre
O projecto inclui, após a inauguração, uma performance, às 18h00, na Solar.
Co-produção e parceria: Solar Galeria de Arte Cinemática, Circular Festival de Artes Performativas
PROJECTO CAVE
Exposição
Co-produção e parceria: Solar Galeria de Arte Cinemática, Circular Festival de Artes Performativas
Cecilia Bengolea (Buenos Aires, 1979) é uma artista que trabalha nas áreas da performance, do vídeo, da escultura e da dança. A sua prática explora o corpo, individual e colectivamente, enquanto meio de memória, empatia e intercâmbio emocional. Utilizando o movimento como uma forma de escultura animada, concebe a dança e a performance como espaços onde convergem energias simbólicas, sociais e naturais, posicionando frequentemente o seu próprio corpo simultaneamente como sujeito e objecto.
Colaborou com artistas como Dominique Gonzalez-Foerster, Jeremy Deller e numerosos intérpretes de dancehall, entre os quais Craig Black Eagle e Oshane Overload. O seu trabalho coreográfico, desenvolvido em colaboração com François Chaignaud, foi distinguido com o Prix de la Critique (Paris, 2010) e recebeu o Prémio Jovem Artista na Bienal de Gwangju (2014). Bengolea recebeu encomendas de peças coreográficas por parte do Ballet de Marseille, do Ballet de Lyon, do Ballet de Lorraine e do Tanztheater Wuppertal de Pina Bausch.
O trabalho de Bengolea tem sido apresentado internacionalmente em instituições e eventos como o Guggenheim Bilbao, o Centre Pompidou, a Tate Modern, o Palais de Tokyo, a Dia Art Foundation, a Bourse de Commerce – Collection Pinault, o Museo Reina Sofía, o MUDAM Luxembourg, a Art Basel Parcours, a Desert X e as bienais de Gwangju e de São Paulo, entre muitos outros.
A sua obra integra importantes colecções públicas e privadas, entre as quais a Pinault Collection, o Museo Reina Sofía, a Kadist France, o MUDAM Luxembourg, a TBA21 Academy, o MIRE – Fonds cantonal d’art contemporain, a The Vinyl Factory, o CNAP, o Le Consortium, o Fiorucci Art Trust, o Tank Shanghai, a Fundación ARCO e o MONA – Museum of Old and New Art, na Tasmânia, entre outras.
Em 2023, foi professora convidada no mestrado em Performance da Universidade de Arquitectura de Veneza, em Itália.
Vive e trabalha entre Paris e Buenos Aires.
PROJECTO CAVE
Exposição
In Search of an Honest Map
There Will Come Soft Rains
Sarah Brahim

There Will Come Soft Rains
Sarah Brahim

In Search of an Honest Map (2025), de Sarah Brahim
In Search of an Honest Map (2025) apresenta uma perspectiva poética sobre os ciclos e os círculos da vida, bem como sobre a relação de cada um com o lugar - um gesto de reapropriação e introspecção num mundo que tantas vezes nos deixa desligados e exauridos. Brahim regressa ao deserto da sua Arábia Saudita natal, entendendo-o simultaneamente como lugar de evasão e como colaborador na construção da presença. Sob um calor abrasador de quarenta e cinco graus, atravessa deliberadamente essa vasta extensão, arrastando os pés de modo a inscrever na areia uma marca indicial. Deita-se, depois, no interior da forma que desenhou, criando para si própria um refúgio - num gesto que é, a um tempo, acto de resistência e de reapropriação.
O seu vocabulário coreográfico é informado pelo pensamento fenomenológico e pelas práticas rituais, sugerindo a obra a possibilidade de uma transformação interior através da presença e da repetição. A performance não se impõe à paisagem; emerge, antes, de um acto de escuta - uma escuta dirigida não apenas ao meio envolvente, mas também ao corpo e à memória que nele habita. Em vez de situar o corpo como algo separado do espaço, o trabalho de Brahim demora-se no seu interior, criando, através do movimento, sentidos e formas de diálogo. Deste modo, a sua performance converte-se numa cartografia do presente: não mapeia a história, mas a própria presença.
Brahim acolhe o espaço, em vez de o ocupar - o seu corpo torna-se um contorno silencioso, gravado na areia. A simplicidade do gesto dissimula a sua profundidade: trata-se de uma forma construída ao longo de anos de repetição, cuja origem remonta ao estúdio de dança onde começou a sua formação aos três anos de idade. Aquilo que se apresenta como ritual não é apenas de natureza cultural; é também o vestígio da prática, do estudo incorporado e de uma memória muscular aperfeiçoada pelo tempo.
Praticar na paisagem torna-se uma forma de regressar a um pensamento, um modo de recordar através do movimento. O trabalho de Brahim desenvolve uma espécie de cartografia coreográfica, assinalando o tempo e o território não por meio da dominação, mas da presença. Os gestos que oferece e os vestígios que deixa - curvas traçadas na areia, a sombra de um membro - não constituem performances no sentido convencional, mas meditações sobre a forma como nos relacionamos, individual e colectivamente, com a terra e com o lugar.
There Will Come Soft Rains (2025) dá continuidade à investigação da artista em torno da sua relação com a paisagem. Filmada nas primeiras horas da manhã, nas colinas de Harrat, em AlUla, a obra resulta dos muitos anos durante os quais Brahim regressou a esta paisagem. A prática a que assistimos não procura, neste caso, coreografar o movimento, mas permitir que o vento se torne visível através do corpo.
O texto escrito pela artista oferece um vislumbre da sua prática continuada de escrita e de ensino, através da qual conduz o público ao encontro do próprio corpo, recorrendo a exercícios, propostas de acção e descrições somáticas.
Sarah Brahim (n. 1992, Riade) é uma artista visual e performativa cuja prática atravessa múltiplos meios e se enraíza nas experiências do corpo. Formou-se como intérprete profissional, professora e coreógrafa no San Francisco Conservatory of Dance, tendo concluído um Bachelor of Fine Arts, com distinção, na London Contemporary Dance School.
A sua prática de investigação começou durante os estudos universitários em Medicina, que conciliou com a prática e a apresentação performativas. O desejo de compreender o corpo através de todas as perspectivas possíveis - biológica, fisiológica, experiencial, entre outras - levou-a a concluir um Bachelor of Science na Oregon Health & Science University, com especialização em antropologia médica, medicina naturopática e saúde pública.
Na sua obra, Brahim investiga o modo como os gestos do corpo constroem uma linguagem capaz de dar voz ao luto, à metamorfose, às formas invisíveis e à nossa relação com o mundo natural. A transformação através do movimento reflecte-se em trabalhos que exploram questões ligadas à experiência incorporada e aos ciclos de conexão, sejam estes sociais, espaciais ou espirituais.
O trabalho de Sarah Brahim foi apresentado no AlUla Arts Festival, AlUla (2025); no Grand Palais, Paris (2025); no MOMI New York Arab Festival, Nova Iorque (2024); na Bienal de Veneza, Veneza (2024); na Film Makers Academy do Festival de Cinema de Locarno, Locarno (2024); no Paço Imperial, Rio de Janeiro (2024); no Louvre Abu Dhabi, no âmbito do Richard Mille Art Prize, Abu Dhabi (2024); na Bienal de Arte Islâmica, Jidá (2023); na Bienal de Lyon, Lyon (2022); e na Bienal de Diriyah, Diriyah (2022).
Em 2023, realizou uma residência artística no Watermill Center, fundado por Robert Wilson, em Nova Iorque, onde recebeu a Baroness Nina von Maltzahn Fellowship for the Performing Arts. A sua primeira exposição individual internacional, Sometimes We Are Eternal, foi apresentada na Bally Foundation, em Lugano, na Suíça, entre 2023 e 2024.
Mais recentemente, Brahim foi distinguida com a Pina Bausch Foundation Fellowship para 2025–2026. Em 2024, recebeu igualmente a insígnia de Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres, atribuída pela República Francesa e entregue pelo Embaixador de França Ludovic Pouille, em representação do Presidente Emmanuel Macron.