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  • © Joana Rosa

Exposição Sob o Signo do Pneu, de Gustavo Sumpta | até 19 Nov. [nova data] Solar Galeria de Arte Cinemática

17 Set — 19 Nov [nova data], Seg — Sáb, 14:00 — 18:30
Solar Galeria de Arte Cinemática

Exposição no âmbito do 18.º Circular Festival de Artes Performativas/Parceria e co-produção: Solar Galeria de Arte Cinemática

Abertura | 17 Set (Sáb), 16:00
Visita Guiada com Gustavo Sumpta | 18 Set (Dom), 17:45 (inscrição obrigatória: solar@curtas.pt)
 
Performances
Herdeiro Universal | 17 Set (Sáb), 17:00 
Pó de Lâmpada | 24 Set (Sáb), 18:00 [performance duracional]
Amigo do meu amigo não é meu amigo | 5 Nov. (Sáb), 17:00
 
Entrada gratuita

+ Cave/Carlos Alberto Arteiro Eu Neandertal
Sob o Signo do Pneu enaltece todos aqueles que obstinados teimam em continuar e com os quais me identifico. Nesta experiência magnifica-se a passagem da potência ao acto e não apenas a mudança de posição no espaço em função de um tempo.
— Gustavo Sumpta

Intro
A ideia de esticar uma corda até a sua tensão poder ser excessiva e romper é indissociável da sua consequência: no ricochete das suas metades há um silvo que faz antever uma chicotada, um impacto que produz um dano e uma consequência física num qualquer alvo. O mesmo pode ser dito de qualquer dispositivo de equilíbrio incerto, como uma balança, ou um balancé: todo o movimento num determinado sentido implica, necessariamente, um movimento contrário e assim sucessivamente até à dissipação da energia do movimento original. Em todos estes movimentos, no fluxo das suas causas e consequências, existe uma correlação de forças, de tensões e de refluxos orientados pela verticalidade da força da gravidade, pela atração pelo solo. Esta tensão em direção ao chão, que desgasta toda a movimentação horizontal, é, pelo menos para os humanos, o sinal da inevitabilidade do fim, o anúncio ou a permanente lembrança de que tudo é atraído para baixo e de que a finitude é o destino do movimento.
Este é a matéria-prima de Gustavo Sumpta (Luanda, 1970) nas várias formas plásticas que desenvolve, desde a escultura, a instalação e as diversas ações que tem vindo a realizar.
A exposição que apresenta na Galeria Solar é construída a partir de três projetos de grandes dimensões que estruturam o espaço físico e emocional da galeria.
A escultura Levantar o Mundo, 2017, é um dispositivo concebido para uma ação que, no entanto, mantém, na sua ausência, a tensão da sua expectativa em repouso. A enorme prancha de aço depositada sobre um pneu de grandes dimensões intui, na potência da sua escala, o movimento pendular com que o artista a ativa; a instalação Luto, 2020, é um ambiente construído com fitas de vídeo VHS, colocadas como uma cascata de memórias suspensas, cegas e mudas, mas presentes na forma massiva como se estiram, pendentes, pelo espaço, em ondas negras como se uma presença nelas vivesse em permanente desfalecimento; por fim, a escultura Ofício de viver. Ofício de poeta, 2022, é uma parede entrançada de pneus, tensionada na arquitetura do espaço, como se fosse um muro tão potente como frágil.
O ponto comum entre estas obras – como também, por diversas formas em relação às restantes, escultóricas, performativas e videográficas – situa-se na forma como juntam dois tópicos: o ar, presente na utilização de pneus e câmaras de ar, inerente à respiração mas também à sua falta, à pressão que mantém a forma sustentada pelo poder do sopro; e o chão no qual os pneus rolam, onde assentam e permitem, pela sua circularidade, o movimento – e, nesse sentido também a gravidade, a atração pelo que está em baixo, que faz pender as memórias desconhecidas das fitas vídeo, todas também olhando para a perda, para a falta. Em suma, para o chão.
Como na escultura Herdeiro Universal, 2022, de facto um dispositivo a ser ativado na performance homónima, a temática de Sumpta está sempre associada à perda e à resistência, à falha e à sua exatidão, à antevisão e ao seu caráter decetivo – ou de uma precisão coreográfica.
Mais não é do que, em cada momento, encenar a possibilidade de inspirar até ao limite da capacidade do corpo, suster a respiração e, antes do perigo, expirar de uma forma controlada e consciente. E fazer disso um exercício com o peso certo, num tempo dilatado, num equilíbrio leve.
Por isso a exposição se chama Sob o Signo do Pneu. Do pneuma. Do enorme peso assente sobre ar.
— Delfim Sardo 

Herdeiro Universal 
Através de um "dispositivo a ser activado na performance homónima, a temática de Sumpta está sempre associada à perda e à resistência, à falha e à sua exatidão, à antevisão e ao seu carácter deceptivo – ou de uma precisão coreográfica." - Delfim Sardo

Pó de Lâmpada
Pó de Lâmpada, expressa um movimento entre causas e consequências orientados pela "verticalidade da força da gravidade, pela atração pelo solo."- Delfim Sardo 

Amigo do meu amigo não é meu amigo
 

Amigo do meu amigo não é meu amigo encerra um ciclo de três performances. Este não é o fim, mas uma possível mudança do paradigma que mais tarde se voltará a repetir sobre diferentes estados de atenção e interrupção.

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Cave

Eu Neandertal Carlos Alberto Arteiro

Quisesse o homem retomar o animal que o antecede. Experimentar num estado bruto e primitivo a capacidade simbólica. Retomar à ocasião que coincide com a emergência compulsiva de reprodução do próprio corpo, às manifestações de contorno, com ocre, das suas extremidades.

Solar - Galeria de Arte Cinemática





Co-produção: Circular Festival de Artes Performativas, Curtas Metragens CRL / Solar - Galeria de Arte Cinemática | Apoio: Artworks

Gustavo Sumpta é performer, artista visual e actor de cinema. nasceu em 1970 em Luanda. Vive e trabalha em Lisboa.
Trabalhou como intérprete e autor com o coreógrafo João Fiadeiro de 2002 a 2008 , participando nas peças “Existência”, “Para onde vai a luz quando se apaga” e "Case Study”, entre outras.
Trabalha como artista visual, autor e interprete das performances desde 2002 as quais destaca:   
Em 2022 mostrou pela primeira vez a performance  Herdeiro Universal no espaço das DAMAS em Lisboa.Em 2021 estreou a performance Denominação de Origem Controlada no Centro Cultural de Belém no contexto do programa “Quero ver as minhas Montanhas” do Festival BOCA. Luto, é o nome da escultura efémera produzida para a Galeria da Casa A. Molder, em Lisboa no ano de 2020.
A performance Sempre-em-Pé, foi estreada no Festival Temps D’images 2020, Centro Cultural das  Carpintarias de São Lázaro, Lisboa.
Apresentou no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, as performances O melhor Mundo possível e Primeira lição de voo no contexto do programa "Jardins de Verão" a convite da ZDB.
Mostrou a performance Levantar o Mundo no “Festival Cumplicidades”, na Culturgest em Lisboa e no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, no programa “O Museu Como Performance” 2020.
Em 2017 participou no Anozero em Coimbra “ Curar e Reparar” onde estreou a performance “ Levantar o Mundo”, no mesmo ano a sua exposição individual Die Zunge na den Gaumen nähen na Rosalux em Berlim.
Em 2015 mostrou Pó de Lâmpada Festival Turbine Hall, Giswel, Suíça. Comboio Fantasma, Calçada do Combro, Lisboa, Portugal em 2014. Em 2013 participou nas exposições coletivas “A Natureza ri da Cultura”, Museu da Luz, Alqueva, Portugal e “O Fim da Violência” Museu Bernardo, Caldas da Rainha, Portugal. Em 2012 realizou a escultura para o espaço público Sai das unhas na Casa independente, Largo do intendente, Lisboa, Portugal. No ano 2010 apresentou a performance A raiz da fruta, Festival “Point d’impact”, Genève, Suíça. Em 2009 participou na Bienal Gyumri, Museu Etnográfico de Gyumri, Arménia. Em 2008 Assim não vais longe. Estreia no contexto do Ciclo performances, apresentado no atelier Re al, do qual fizeram parte todos os trabalhos desde 2004. Em 2007 participou no “Prémio EDP, Novos artistas”, Central do Freixo no Porto.
No cinema, trabalhou, com  Ben Rivers e Gabriel Abrantes, João Botelho, João Nuno Pinto, Manuel Mozos, Luis Costa, Luis Galvão Teles, Pedro Magano, Pedro Costa, Tiago Guedes, Vasco Saltão, José Nascimento, Carlos Conceição, Rodrigo Areias, Paulo Abreu e Eduardo Brito, entre outros.

Carlos Arteiro (Vila do Conde, 1992) é licenciado em Artes Plásticas, com especialização em Escultura (Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, 2015) e mestre em Práticas Artísticas Contemporâneas (Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto / Facultad de Bellas Artes da Universidad Complutense de Madrid, 2017), com o projeto O que fazemos de improviso, e o que fazemos. Foi finalista do Prémio Revelação Novo Banco (2018). É coordenador de produção da organização ArtWorks.