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  • © Marc Chesneau

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Metrópole

Volmir Cordeiro

Dança

Auditório Municipal de Vila do Conde

19 Set. (Sáb.) | 22:30
Estreia Nacional

5 € | bilhete combinado (permite acesso às peças "O sono da montanha + O gesto do falcão"  de Tânia Carvalho) | M/15 | Duração aprox.: 60 min.
Ao lado de Philippe Foch, na percussão, o coreógrafo e bailarino Volmir Cordeiro apresenta uma ópera de dança punk e efervescente, concebida durante a crise sanitária. Volmir Cordeiro deixa-se atravessar pelas questões da metrópole, acabando por a encarnar. A cidade, entendida aqui como um espaço simultaneamente central e dinâmico, é atravessada por ambivalências. É um lugar que promove tanto a liberdade como a vigilância. Tende a absorver os indivíduos, ao mesmo tempo que os selecciona constantemente. Celebra novas tecnologias cada vez mais alienantes.

Impulsionada pela percussão, a sua dança transforma-se numa alegoria selvagem e carnavalesca - frenética, mascarada, encapuzada, disfarçada e robótica. Desdobra-se como uma metáfora da vida urbana: vertiginosa, caótica, mas também intensamente bela. Através de um movimento profundamente expressivo, Volmir Cordeiro interroga o nosso lugar nesta metrópole, onde cada um luta por afirmar a sua existência. A sua interpretação impressiona pela intensidade e determinação. Transgressora, reclama uma liberdade absoluta, distante de todas as normas.



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Concepção, coreografia e interpretação: Volmir Cordeiro | Percussão: Philippe Foch | Concepção sonora: Aria De la Celle | Desenho de luz: Abigalai Fowler | Concepção e criação de figurinos: Clément Picot & Dat Vu | Confecção de figurinos: Coco Blanvillain | Construção da cenografia, a partir de uma ideia original de Volmir Cordeiro: Hervé Cherblanc | Realização vídeo, a partir de uma ideia original de Volmir Cordeiro: Margaux Vendassi | Reposição de luz e direcção de cena: Bia Kaysel | Técnico de som: Bastien Raute | Consultoria artística: Bruno Pace, Carolina Campos, Paca Tim Faraus, Marcela Santander Corvalan | Agradecimentos: Paul B. Preciado, Guillaume Leingre | Produção: Donna Volcan | Direcção de produção e desenvolvimento: Audrey Chazelle | Administração e logística: Doriane Trouboul, Daphnée Gonçalves | Co-produções: Points Communs, Nouvelle Scène Nationale Cergy-Pontoise / Val d’Oise; La Briqueterie – CDCN du Val-de-Marne, Vitry; Festival d’Automne à Paris; Théâtre La Vignette / Universidade Paul-Valéry Montpellier 3; ICI—Centre chorégraphique national Montpellier Occitanie / Direcção Artística de Christian Rizzo (residência de estúdio); Fondation Royaumont | Com o apoio de: Théâtre Paul Éluard (TPE) de Bezons, espaço de interesse nacional para a arte e a criação – Dança; Graner, Centro de creación de danza y artes vivas (Barcelona).
A companhia é financiada pela DRAC Île-de-France.



Volmir Cordeiro é um bailarino, coreógrafo e investigador brasileiro, nascido em 1987, cujo percurso se situa na confluência entre a criação artística e a pedagogia. Formado inicialmente em teatro no Brasil, orientou-se rapidamente para a dança contemporânea, colaborando com algumas das principais figuras da cena brasileira, entre as quais Lia Rodrigues, Alejandro Ahmed e Cristina Moura. Estas primeiras experiências moldaram uma abordagem ao corpo já marcada pela atenção às dinâmicas sociais e às formas marginais de expressão.
Radicado em França desde 2011, prosseguiu a sua formação no Centre National de Danse Contemporaine (CNDC), em Angers, sob a direcção de Emmanuelle Huynh, onde desenvolveu uma prática rigorosa que alia intensidade física e profundidade conceptual. Paralelamente à sua carreira como intérprete - trabalhando com artistas como Xavier Le Roy, Latifa Laâbissi, Robyn Orlin e Rodrigo Garcia - prosseguiu investigação académica, concluindo um doutoramento na Universidade Paris 8. O seu trabalho teórico, centrado nas figuras da marginalidade na dança contemporânea, alimenta profundamente a sua prática artística.
As suas primeiras criações coreográficas constituem um ciclo de solos - Ciel (2012), Inês (2014) e Rue (2015) - que exploram presenças corporais frequentemente invisíveis, na intersecção entre o social e o político. Nestas obras, Volmir Cordeiro afirma uma linguagem coreográfica singular, marcada por uma intensa fisicalidade e por uma atenção aos estados instáveis, porosos e em permanente transformação do corpo.
Posteriormente, prosseguiu com o seu trabalho orientado para as criações de grupo, como L’œil, la bouche et le reste (2017), Trottoir (2019), Metropole (2021), Érosion (2022, para os Ballets de Lorraine) e Abri (2023), nas quais o colectivo se torna um espaço de tensão, circulação e reconfiguração das identidades.
Em 2018, fundou a companhia Donna Volcan, concebida como um espaço de investigação e criação, onde desenvolve uma estética da emergência e da metamorfose. As suas obras mais recentes, como Parterre (2025) e Cher Fou, prosseguem esta exploração, conjugando energia corporal, imaginários populares e património cultural. O seu gesto coreográfico afirma-se simultaneamente como poético e político, atento às formas de resistência e ao poder expressivo dos corpos.
Enquanto artista-investigador, Volmir Cordeiro lecciona regularmente em diversos contextos internacionais. A publicação do livro Ex-Corpo (Éditions Carnets / CND, 2019) prolonga a sua reflexão sobre a marginalidade e o papel do corpo nas práticas contemporâneas.
Hoje amplamente reconhecido no panorama coreográfico internacional, recebeu em 2021 o prémio "Jeune Talent Chorégraphie" da SACD, distinção que reconheceu a originalidade e o compromisso da sua abordagem artística. Tem sido regularmente convidado e apoiado por instituições de referência, como o Centre National de la Danse, La Briqueterie - CDCN du Val-de-Marne e Points Communs, onde foi artista associado.
Em 2026, Volmir Cordeiro torna-se artista associado do programa de mestrado Exerce, da Agora – Centre Chorégraphique National de Montpellier.