Newsletter Circular Festival
282 / 2026

© Cecilia Bengolea

Cecilia Bengolea 
Raw Rhythms
19 Set. (Sáb.) | 18:00 Inauguração
[Seg. a Sáb. 14:00–18:00 | até 8 Nov]
Solar Galeria de Arte Cinemática
Exposição

Nesta exposição, apresento doze anos da minha prática em vídeo, tanto em formato digital como em Super 8. Da minha prática do movimento do corpo e da dança ao movimento das imagens, o que sempre me interessa é o ritmo, o fluxo, a percepção do tempo e a influência mútua entre o ser humano e a natureza.
– Cecilia Bengolea

CAVE | Sarah Brahim 
There Will Come Soft Rains
19 Set. (Sáb.) | 18:00 Inauguração
[Seg. a Sáb. 14:00–18:00 | até 8 Nov.]
Solar Galeria de Arte Cinemática
Exposição

Entrada livre


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© Cecilia Bengolea

Cecilia Bengolea 
Bodies of Water
19 Set. (Sáb.) | 18:30 | Solar Galeria de Arte Cinemática
Performance

Entrada livre

Esta performance começa com uma pergunta simples: onde termina um corpo e começa uma paisagem?
Em vez de se limitar a ocupar um espaço, a intérprete entra num campo de trocas. O movimento torna-se uma forma de dissolver a distinção entre silhueta e fundo, permitindo ao corpo oscilar entre a visibilidade e o desaparecimento, entre a individualidade e a atmosfera. A camuflagem não é aqui entendida como imitação, mas como um estado de permeabilidade, no qual o corpo se compõe com a luz, a textura, a vegetação, a arquitectura, o vento e o som.
O trabalho afasta-se de uma concepção da identidade enquanto condição humana estável. Em seu lugar, propõe um corpo expansivo e polimorfo, que se transcende através do ritmo. A intérprete não é tanto uma figura singular, mas antes uma constelação transitória de movimentos, continuamente reconfigurada pelo meio que habita. A presença emerge da relação, e não da autonomia.
Como escreve Astrida Neimanis, «os nossos corpos são corpos de água». Esta proposição ultrapassa o seu sentido literal, na medida em que sugere que somos constituídos por fluxos, trocas e movimentos contínuos de circulação, e não por fronteiras fixas. A performance acolhe esta ontologia fluida, imaginando o corpo como uma ecologia porosa, cujos contornos se encontram em permanente negociação.
O que daí emerge nem é uma personagem nem uma representação, mas um organismo em ressonância com aquilo que o rodeia. A coreografia desenvolve-se através da sintonia, e não do domínio, propondo uma forma de corporeidade mais-que-humana, na qual o ritmo substitui a identidade, a transformação substitui a permanência e a relação se torna a principal forma de existência.
Camuflar-se não significa desaparecer. Significa tornar-se irredutível aos limites do próprio corpo — habitar um modo de existência colectivo, mutável e em contínua formação.
Como nos recorda Donna Haraway, «tornamo-nos-com [sic] os outros, ou não nos tornamos de todo». Esta noção de tornar-se-com ocupa um lugar central na performance. A identidade não é entendida como uma condição autónoma, mas como um processo de composição com o mundo vivo. A camuflagem não é, portanto, nem mimetismo nem desaparecimento: é um acto de harmonização. Através do movimento, o corpo entra em correspondência com o ambiente, até que a distinção entre sujeito e meio se torna porosa.
O trabalho propõe uma coreografia da permeabilidade, na qual o ritmo substitui a identidade e a relação substitui a hierarquia. O corpo expande-se para além de si próprio, tornando-se menos um indivíduo do que uma constelação de encontros - mutável, relacional e sempre em formação.
– Cecilia Bengolea

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© Rui Palma

Tânia Carvalho 
O Sono da Montanha + O Gesto do Falcão
19 Set. (Sáb.) | 21:30 | Teatro Municipal de Vila do Conde
Dança

5 € | bilhete combinado (permite acesso a Metrópole, de Volmir Cordeiro)
M/6 | Duração aprox.: 50 min.


Dois solos que procuram um estado em que o corpo deixa de funcionar como limite e se torna permeável ao tempo, à percepção e à transformação. Em O Gesto do Falcão, o movimento surge numa claridade extrema, entre impulso e suspensão. Em O Sono da Montanha, o tempo altera a densidade das coisas e o mínimo ganha dimensão. As peças aproximam-se menos da narrativa do que de um estado de reconhecimento impossível de explicar por completo.

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© Marc Chesneau

Volmir Cordeiro 
Metrópole
19 Set. (Sáb.) | 22:30 | Auditório Municipal de Vila do Conde
Dança | estreia nacional

5 € | bilhete combinado (permite acesso a O sono da montanha + O gesto do falcão, de Tânia Carvalho)
M/12 | Duração aprox.: 60 min.


Ao lado de Philippe Foch, na percussão, o coreógrafo e bailarino Volmir Cordeiro apresenta uma ópera de dança punk e efervescente, concebida durante a crise sanitária. Volmir Cordeiro deixa-se atravessar pelas questões da metrópole, acabando por a encarnar. A cidade, entendida aqui como um espaço simultaneamente central e dinâmico, é atravessada por ambivalências. É um lugar que promove tanto a liberdade como a vigilância e que tende a absorver os indivíduos, ao mesmo tempo que os selecciona constantemente. Celebra novas tecnologias cada vez mais alienantes.
Impulsionada pela percussão, a sua dança transforma-se numa alegoria selvagem e carnavalesca - frenética, mascarada, encapuzada, disfarçada e robótica. Desdobra-se como uma metáfora da vida urbana: vertiginosa, caótica, mas também intensamente bela. Através de um movimento profundamente expressivo, Volmir Cordeiro interroga o nosso lugar nesta metrópole, onde cada um luta por afirmar a sua existência. A sua interpretação impressiona pela intensidade e determinação. Transgressora, reclama uma liberdade absoluta, distante de todas as normas.

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© DR

Tânia Carvalho 
Coisas
18 Set. (Sex.) | 18:30–20:30 | Conservatório de Música, Teatro e Dança de Vila do Conde
Workshop de dança

Acesso gratuito
Público-alvo: não profissionais, M/14
Inscrições: www.circularfestival.com


Partilho uma pequena parte da minha prática, normalmente solitária, num espaço de grupo onde começamos e terminamos em silêncio. Pelo caminho, há exercícios simples e também espaço para rir e falar. O objectivo é desacelerar. Sentir o corpo com atenção e cuidado, e deixar aparecer emoções, ou outras “coisas” que vierem. 
— Tânia Carvalho

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