26 Set. (Sáb.) | 21:00 | Auditório Municipal de Vila do Conde
Quando éramos pequenas esfolámos os dois joelhos, de joelhos esfolados subimos uma escada muito alta, mais alta que o pinheiro, mais alta que o cipreste. Continuámos a subir, escadas que se transformavam em torres, torres que se transformavam em palácios. Parecia que a primavera nos pregava uma partida. Então decidimos que dali nunca mais mentiríamos, dali para a frente nunca mais seríamos nós. Então caímos de alto a baixo, onde mais baixo não havia e gritámos! Gritámos durante anos um grito velho e bolorento, até que da nossa boca saiu um grilo amigo do grito. Olhámo-lo e perguntamos: quando chega a neve? quando acaba o tempo? quando começam as festas? Ele respondeu: cri cri.
Coisa-Ponta nasce de uma afinidade antiga entre Ana Rita Teodoro e Márcia Lança: quando em 1999, viram, pela primeira vez, arte surrealista juntas. Este evento abriu uma brecha fascinante que as levou a entrar num fazer artístico guiado por um adormecer daquilo que na intenção é de propósito como forma de aceder ao inimaginável. O surrealismo permitiu-lhes também um espaço múltiplo que nenhuma disciplina por si só lhes proporcionava – ser surrealista é Coisa-Séria.
Neste trabalho, procuram colocar a sua afinidade ética e estética em conversa com as técnicas e processos surrealistas. Activando os seus modos de fazer enquanto estratégia de composição – o cruzamento de matérias, a desactivação da acção consciente, o juntar de coisas que, à partida, estariam separadas –
Coisa-Ponta cria um espaço díspar onde o sensível e o não-sentido operam como rainhas aleatórias.
Nesta criação propomo-nos pensar e questionar o que significa ser uma mulher surrealista em 2026, e de que forma esse legado continua a ressoar e a transformar as práticas artísticas contemporâneas.
+ info
Film still © Sandro Aguilar
Supernova Ensemble + Sandro Aguilar, curadoria de Daniel Ribas
Respirar
26 Set. (Sáb.) | 22:00 | Teatro Municipal de Vila do Conde, Palco
Música, artes visuais | estreia absoluta
Este espectáculo pretende colocar em diálogo a música do Supernova Ensemble, com uma curadoria visual e sonora do programador e investigador Daniel Ribas feita a partir do cinema de Sandro Aguilar. Entendendo o cinema como uma arte elástica e expandida, quatro filmes do cineasta português, realizados entre 2013 e 2015, serão colocados em diálogo, entre si, entre os seus sons, e a música original, num espaço rodeado por quatro telas. Jewels (2013), Dive: Approach and Exit (2013), False Twins (2014) e Undisclosed Recipients (2015) formam um corpo de trabalho de documentário experimental, onde os seres humanos são participantes de uma vivência de que também fazem parte outros seres, em aparente espaço de igualdade. No entanto, o mundo criado nestes filmes é claustrofóbico, falta o ar, parece que todos os agentes vivos ou mortos estão presos às guardas da ciência e da história. Como sair deste labirinto? Podemos nós escapar à nossa própria mortalidade? Na verdade, é o cinema, com os seus enquadramentos fechados ou a sua montagem obsessiva, que nos deixam sem respiração.
+ info
© DR
Lord Tusk
Afterlight Terminal
26 Set. (Sáb.) | 23:15 | Auditório Municipal de Vila do Conde, Palco
Música/artes visuais
Lord Tusk apresenta AFTERLIGHT TERMINAL, uma performance audiovisual a solo e ao vivo, construída a partir de composição eletrónica imersiva, manipulação de vídeo em tempo real, sistemas de transmissão distorcidos e ambientes de projeção de grande escala.
Trabalhando a partir de imagens de verão fragmentadas, transmissões de videovigilância, memórias degradadas e uma arquitetura sonora dominada por frequências subgraves, a performance desenrola-se como um lento sobreaquecimento sensorial. Sistemas de câmara ao vivo entram em ciclos de retroalimentação, as imagens degradam-se em tempo real e uma tensão ambiente, prolongada e expansiva, transforma-se gradualmente em momentos de intensidade eufórica.
Algures entre o concerto, a instalação e o colapso de uma transmissão, AFTERLIGHT TERMINAL explora a tentativa de preservar a beleza no interior de sistemas que já começaram a falhar. O que daí emerge é cinematográfico, psicologicamente imersivo e difícil de situar com precisão: uma figura solitária, rodeada de sinais, calor, delay e dos fantasmas de versões anteriores de si própria.
Performance de Lord Tusk, com curadoria de Leila Nassereldein, da GODPARENT Bookings.
+ info
© Cecilia Bengolea
Cecilia Bengolea
Raw Rhythms
até 8 Nov,
Seg. a Sáb. 14:00–18:00
Solar Galeria de Arte Cinemática
Exposição
Nesta exposição, apresento doze anos da minha prática em vídeo, tanto em formato digital como em Super 8. Da minha prática do movimento do corpo e da dança ao movimento das imagens, o que sempre me interessa é o ritmo, o fluxo, a percepção do tempo e a influência mútua entre o ser humano e a natureza.
– Cecilia Bengolea
+ CAVE | Sarah Brahim
There Will Come Soft Rains
até 8 Nov, Seg. a Sáb. 14:00–18:00
Solar Galeria de Arte Cinemática
Exposição
Entrada livre
+ info